Poderá o amor e comunicação ser uma forma de terapia?
Sou de crer que é uma forma de terapia. É evidente que face a este tipo de transtorno o tratamento deve ser multidisciplinar e aplicado por especialistas que são as pessoas indicadas a poder valorizar em profundidade o problema, suas causas e possíveis soluções. Não obstante é muito importante que o meio da pessoa deprimida seja afectuoso, compreensivo e comunicativo, já que quando alguém vive situações emocionais difíceis tende a sentir-se inundada por uma sensação de terrível solidão que podemos paliar com grandes doses de amor através de gestos e palavras.
Para minorar esses efeitos, deve deve ser disciplinado o tempo, de forma a estar o maior período possível, com o familiar que apresenta esse quadro clínico, como por exemplo ver um filme, presenteá-lo, conversar e sobretudo dar-lhe a atenção necessária escutando os seus problemas e queixas. Sei o cada vez mais difícil que se torna no mundo e sociedades em que vivemos praticar este tipo de situações. Mas por falta desse tempo o mundo se está aniquilando psicologicamente. O Ouvir sem condições, deixou de existir no mapa da amizade. O mais interessante de tudo, somos nós clínico, que tentamos lutar diariamente contra a avalanche de pessoas com esta sintomatologia, que vai recebendo mensagens de auto-estima em diversos formatos. Encantadoras sem dúvida. Atrevo-me a perguntar. Você que recebe e envia e não é clínico, fica só pelo… que lindo! Ou será que você sai do casulo e faz alguma coisa prática por si e pelos outros? A dúvida que me atormenta e cartesiana. Pensem, o próximo a ser atingido pode ser você. Uma outra forma de visão está a evoluir no que diz respeito à forma como a sociedade reage perante este problema. Faz 30 anos a depressão se considerava uma debilidade do carácter. No caminhar dos anos a importância deste transtorno que é considerado como uma doença susceptível de tratamento, conseguiu desvincular a palavra depressão de tabus e estigmas sociais. Conscientes de conscientizar a sociedade e de oferecer informação a esse respeito, especialistas europeus em que me enquadro, criaram o dia 7 de Outubro como “Dia Europeu da Depressão”. Não recebi nenhuma mensagem a este propósito e esperei para ver qual a consciência colectiva e individual a respeito. Estamos todos entre ¼ a ½ de nos tornarmos vítimas. Dá para parar e pensar nessa realidade?
Que diferença existe entre depressão e saudade?
A saudade é um sentimento natural, não patológico, que não afecta de forma significativa à vida da pessoa, já que não interfere na sua vida laboral, nem afecta a sua vida sócio-familiar, nem provoca mudanças permanentes na conduta. Produz-se de forma pontual, enquanto na depressão se produzem grande parte dos sintomas anteriormente citados e afecta significativamente todos os campos vitais (laboral, social, familiar e de casal).
Sejam solidários começando pela sua própria casa.
Textos próximos virão arrasantes sobre as emoções e os caminhos desconhecidos da mente.
Prof. Doutor Carlo Bourbon de Parma